A peça do mês de janeiro de 2016 foi…

A Bilha de Segredo ...

A bilha de segredo é uma das expressões maiores da capacidade técnica e habilidade artística do oleiro que a executa. A sua conceção, de elevado grau de dificuldade, implica a ideia de truque, levando ao engano todos aqueles que não conhecerem o correto modo de funcionamento, ou seja, o seu "segredo", neste caso fazendo com que os mais incautos se molhem ao tentar com ela servir ou ingerir líquidos.

A bilha apresenta um pequeno orifício na base superior, local onde se devem pousar os lábios ou por onde se verte o líquido, mas possui uma série de aberturas, por onde passa a água. Para se conseguir beber sem nos molharmos, é necessário tapar um furo escondido por detrás da pega e sorver ou verter o líquido pelo buraco superior.

A peça aqui exposta é uma bilha ou cântara de segredo (ou de engano), de média dimensão. Possui um corpo muito bojudo, com um pé alto, bem destacado na sua ligação ao bojo. É visível um colo muito pronunciado a partir de um ligeiro ressalto, com aberturas verticais e bordo em aba, muito aberto e com perfurações circulares. Tem uma asa de rolo, com inflexão de quase 90 graus e muito espaçada do corpo para facilitar o manuseio, que arranca do lábio e fecha em cotovelo muito marcado.

Possui decoração impressa e incisa. O corpo principal é moldurado por caneluras horizontais largas, duplas na parte inferior, a que se ligam meias-luas. Tem linhas incisas verticais a ritmarem o painel central. Das aberturas verticais do colo alto arrancam gavinhas. Uma última canelura sublinha inferiormente o bordo. O seu oleiro é desconhecido. Faz parte do espólio da Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis e mede 18,8cm x 7,4cm x 7,7cm.

Informações retiradas de: “Ul – Vária”, Tomo III (1-2), 1996, Museu Regional de Oliveira de Azeméis e traga-mundos.blogspot.pt