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A Máquina de escrever ...

Apesar de hoje ser um objeto há muito ultrapassado e substituído por teclados e touch screens, a máquina de escrever, ou máquina de datilografia, foi algo muito útil e revolucionário em termos de tecnologia. Este instrumento mecânico que consistia num sistema simples, onde a tecla pressionada causava uma impressão no papel teve tanta importância que merece uma homenagem. A máquina de escrever foi inventada ainda no século XIX e contribuiu para uma evolução geral na sociedade no que diz respeito à escrita, impulsionando todo o processo de comunicação e também contribuiu na inserção da mulher no mercado de trabalho.

O tirolês Peter Mitterhofer, nascido em 1822 nas proximidades de Merano (hoje Itália), é considerado um dos pais da máquina de escrever. Após muitas experiências, o marceneiro apresentou, em 1866, uma "caixa" de 15 quilos ao imperador austríaco Francisco José, em Viena. O equipamento tinha um teclado em forma de estante e um rolo para o papel, um espaçador e uma tampa "para que ninguém lesse o texto sem autorização".

Ao mesmo tempo, os americanos John Pratt e Christopher Sholes (tipógrafo) desenvolveram uma máquina de escrever. Eles inventaram o princípio segundo o qual cada tipo deve bater sempre no mesmo lugar, enquanto o carro com o rolo avança. As teclas dessa máquina eram de madeira de nogueira, sobre as quais estavam desenhadas letras brancas. A cor da escrita vinha de fitas de seda, que eram impregnadas durante horas com tinta e penduradas à noite para secar.

Em 1877, a ex-fabricante de armas “Remington” começou a produzir a Type Writer em série, abrindo caminho para o triunfo da "obra-prima da técnica de escrever". Dez anos após o início da produção industrial, haviam sido vendidas 50 mil unidades. Em 1919, mais de um milhão de escritores, contabilistas e secretárias já escreviam à máquina.

A datilografia era considerada um duro trabalho braçal. Segundo o sociólogo Hans Georg Kräft, estudos realizados no Ministério alemão das Relações Exteriores demonstraram, já em 1899, que mesmo um curso de até dois anos não garantia um aproveitamento efetivo da nova técnica de escritório por homens. A principal causa seria o facto de se tratar de um trabalho muito cansativo. Tal atividade seria insuportável a longo prazo para os funcionários públicos e deveria ser entregue somente a datilógrafos jovens. No primeiro curso de datilografia, foram admitidas somente mulheres com boas condições físicas. Ao longo do tempo, as máquinas de escrever foram aperfeiçoadas. Já no início do século 20, começaram a surgir os primeiros modelos semielétricos. Em princípio, conjeturou-se o uso de um eletroíman como força auxiliar – uma ideia que se mostrou impraticável. O que mais tarde se impôs foi o motor elétrico, instalado atrás da máquina. Em caso de queda de corrente elétrica, a energia necessária podia ser gerada ao carregar num pedal.

As máquinas de escrever elétricas eram bem mais confortáveis do que as mecânicas, eliminando os esforços para bater nas teclas, mudar de minúsculas para maiúsculas e recuar o carro. Todas essas funções passaram a ser executadas por um simples toque de tecla. Estudos realizados à época comprovaram que a força empregue no uso de uma máquina de escrever elétrica correspondia a apenas 1,4% do esforço feito numa máquina mecânica. Além disso, os novos equipamentos eram bem mais silenciosos do que os antigos.

Um longo caminho foi percorrido desde a primeira máquina de escrever mecânica, passando pela sucessora elétrica até os atuais sistemas de processamento de textos e computadores pessoais. O que sobrou foi a datilografia.

Até mesmo os equipamentos mais modernos, apesar do auxílio do mouse e do scanner, ainda não conseguiram eliminar o teclado.

A máquina de escrever aqui exposta é da marca “Remington” e faz parte do espólio da Casa – Museu Regional de Oliveira de Azeméis.

Informações retiradas de: http://www.dw.com/pt/1957

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