A peça do mês de outubro de 2016 foi…

 Cédulas camarárias

 A nossa história ensina que o tempo que se seguiu à chamada queda da monarquia foi um autêntico caos administrativo, compreendendo os anos de 1910 a 1926. O então valor aquisitivo do escudo (o equivalente a 1.000 reis) começou a degenerar. A moeda metálica desaparece de circulação e dificilmente é substituída por outra em virtude de se registar uma forte instabilidade (aumento) nos preços dos metais habitualmente utilizados para o efeito. Assim, e por consequência verificou-se uma falta de dinheiro “miúdo”, ou de trocos para transações comerciais de pequeno montante. Este facto, aliado à carência de meios financeiros, sentida pelas Câmaras Municipais, fez surgir uma moeda de recurso e/ou de emergência cuja emissão sai do âmbito das competências da Casa da Moeda, passando aquelas a assumir essa responsabilidade. Surgiu então a cédula, com origem no latim «schedula», que significa pequena folha de papel. Era um título emitido para representar as moedas metálicas ou os trocos. Eram pequenos retângulos de papel, numerados ou sem numeração, autenticados com assinatura manuscrita, carimbo, selo branco ou chancela, que apresentavam ainda ilustrações e a data, na sua grande maioria, e constituíam uma espécie de dinheiro de recurso, em falta da moeda oficial, normalmente devido a situações de guerra. Algumas câmaras municipais, por maior necessidade ou apenas para tirar um maior aproveitamento da situação, ultrapassaram o valor dos “trocos” e emitiram cédulas de valor unitário muito significativo. A Câmara Municipal de Serpa ultrapassou todas as outras ao emitir cédulas de 7$50, o que corresponderia ao salário de um dia de trabalho de um homem. No sentido de tentar disciplinar (proibir) essas emissões, surge o primeiro decreto-lei (nº3296 de 15-09-1917) publicado sobre a matéria que proíbe a circulação de cédulas, senhas ou qualquer título pagável ao portador e à vista. No entanto, o caos em que se encontrava afogado o país, nos seus mais variados aspetos, permitiu que este dinheiro de emergência (não oficial) fosse totalmente consentidos e aceites pela população. As cédulas camarárias aqui expostas foram doadas por António Alberto Carvalho Pinheiro e são da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis. São de 1 e 2 centavos e estão assinadas por Aníbal Beleza, presidente da edilidade na época.

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Informações retiradas de: http://coisasdeoutrostempos.blogspot.pt/2005/03/o-papel-moeda.htm e informações de M. R. de P.

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