A peça do mês de março foi…

 Infusor de chá

 O chá é a terceira bebida mais consumida no planeta. Certamente, quem mais contribui para esse número é a China, com quase um quinto da população mundial e a tradição milenar na ingestão dessa bebida. E é exatamente lá onde se encontram os registos mais antigos do consumo dela, datados da dinastia Shang, em torno do século 10 a.C. Porém, segundo as lendas chinesas, o chá teria sido “descoberto” acidentalmente no ano de 2737 a.C. pelo também lendário imperador Shen Nung, quando folhas caíram sem querer na água que estava sendo fervida para seu consumo. Com tudo isso, não é de se espantar que beber chá tenha-se tornado uma força cultural não apenas na China, mas na Ásia inteira. Esse costume foi passado para os britânicos após as campanhas de navegação do Reino Unido para o Oriente. A hora do chá na Inglaterra é quase religiosa. Com o domínio cultural inglês durante o século XIX, o hábito também se espalhou por muitas outras partes do mundo. No entanto, foi nos Estados Unidos, país conhecido por tornar quase tudo mais prático, que inventaram essa maneira económica e mais fácil de fazer a infusão. A história mais conhecida credita o importador de chá Thomas Sullivan como o inventor do popular saquinho em 1908. Segundo relatos, ele costumava distribuir pequenos compartimentos individuais feitos de seda, cheios de folhas aromáticas, como amostra para os seus possíveis clientes. Os consumidores passaram a usar esses compartimentos como infusores individuais e descartáveis de chá, o que era muito mais prático do que preparar quantidades grandes da bebida, que acabavam sendo desperdiçadas. O que ninguém sabia até recentemente, no entanto, é que o saquinho de chá já havia sido inventado sete anos antes disso, e existem registros que comprovam tal façanha. Duas americanas de Milwaukee, no Wisconsin, chamadas Roberta C. Lawson e Mary McLaren, registraram em 1901 uma patente de um saco impressionantemente parecido com o que usamos hoje em dia. A ideia das duas mulheres era evitar o desperdício de chá feito em grandes quantidades, podendo saboreá-lo mais fresco, visto que preparava-se a bebida em porções unitárias na hora do consumo, e economizava-se na quantidade de matéria-prima na preparação. O saquinho onde as folhas deveriam ser armazenadas era feito de algodão e não afetava o gosto da bebida, enquanto que o “acidente” de Thomas Sullivan produzia um sabor alterado pelo tecido do compartimento e pela cola usada para fechá-lo. Apesar de tudo isso, o produto inventado pelas mulheres de Milwaukee não teve muito sucesso comercial e o saquinho de chá só se popularizou quando Thomas Sullivan percebeu que poderia fazer dinheiro com aquele hábito estranho das pessoas colocarem as suas amostras em água quente. Devido à praticidade que ele proporcionava acabaram criando os recipientes de metal, onde colocavam os saquinhos de chá dentro. Com o tempo algumas pessoas perceberam que não havia a necessidade do saquinho, e começaram a utilizar apenas a peça metálica, que ficou conhecida como infusor. Os infusores vieram como uma revolução para o mundo dos chás, eles permitiam um sabor mais gostoso do chá (já que facilitava o processo de infusão com a retirada da erva no tempo certo), fora isso eram dispositivos para preparo do chá que permitiam a preparação em diferentes recipientes, além da limpeza dos mesmos ser bem facilitada. Com o tempo além de ser uma peça decorativa os infusores viraram item indispensável nas casas nobres britânicas, e geralmente eram encontrados no formato de esfera, colher ou estilo pinça. Hoje nós temos uma variedade diferente de modelos de infusores, de peças metálicas, de plástico, porcelana, etc. Este infusor que aqui observa foi doado por Jorge Manuel Sousa Ferreira da Silva e foi utilizado na antiga “Pensão Rádio” que existia em Oliveira de Azeméis.


Informações retiradas de: http://blog.infusorina.com.br/infusor-uma-historia-de-praticidade e http://www.megacurioso.com.br/cultura/70077-de-onde-vieram-os-populares-saquinhos-de-cha.htm