A peça do mês de novembro foi…

  O Relógio despertador

  Tic-tac. Tic-tac. Os ponteiros avançavam. De repente, ouvia-se um tiro de uma arma de fogo e uma vela acendia-se mesmo ao lado da cama. O alarme cumpria a sua missão: ao ser ativado, a pederneira - o mesmo mecanismo dos isqueiros - abria a tampa de metal da caixa que continha pólvora seca. Uma mola levantava a vela e acendia-a com as faíscas da detonação. A luz e o ruído eram suficientes para acordar Ralph Bernal, político e arqueólogo britânico, que nunca se atrasava - nem sofreu queimaduras. Este sofisticado despertador tinha sido fabricado, no Reino Unido, pelo relojeiro Godfrie Poy, no século XVIII. Esta experiência inglesa foi apenas mais um passo na história do despertador. Um método mais calmo surgiu nos Estados Unidos, em 1787. O relojoeiro Levi Hutchins criou uma pequena caixa de pinho com uma campainha que tocava sempre à mesma hora: de madrugada, às 4h. Já não eram precisos tiros, nem beber litros de água antes de ir dormir, para acordar cedo cheio de vontade de correr para a casa de banho, ou contar com a ajuda dos galos madrugadores. A invenção até parecia acabar com uma profissão surgida durante a Revolução Industrial: os batedores. Estes homens batiam com um pau nas janelas, à hora indicada pelos clientes. Só que a campainha de Hutchins, que morreu aos 94 anos, nunca foi registada. Por isso, o título de inventor do despertador pertence a Seth E. Thomas, que patenteou o objeto. Este norte-americano inventou uma pequena caixa de metal, com um relógio, que podia ser programada para tocar a qualquer hora. Há 140 anos - a 24 de Outubro de 1876 - a moda do despertador começava. Sempre foi precisa muita disciplina para se conseguir acordar, e se hoje a maioria dos jovens utiliza o smartphone, Platão desenrascou-se com o que existia na época. No século IV a.C., os gregos usavam vasos de pedra (clepsidras) que escorriam água entre si, uma espécie de ampulheta, para medir o tempo. O filósofo juntou a isto outra ideia: a água escorria para um vaso que tinha um apito. Quando atingia o limite, ouvia-se um som agudo. Platão costumava usá-los para não se atrasar para as aulas de madrugada. Mas seriam as fábricas - no século XIX - a determinar a importância destes objetos, muito mais acessíveis depois da invenção americana. "A disciplina nas fábricas criou novos hábitos, reconfigurou a vida social e individual. O trabalho passou a ser regulado à hora". O relógio aqui exposto é um relógio despertador de cabeceira, mecânico, fazia parte do espólio da “Pensão Rádio” (OAZ), é da autoria da “Ourivesaria Guedes” (OAZ) e foi doado por Maria de Fátima de Azevedo Teixeira Lopes da Silva.


Informações retiradas de: http://www.sabado.pt/vida/detalhe/primeiro-despertador-patenteado-ha-140-anos