A peça do mês de março foi…

  A panela de ferro fundido

  Todos os dias pegamos na nossa panela do costume para fazermos o almoço, o jantar ou simplesmente um lanche, porém nem nos passa pela cabeça que nem sempre foi tão fácil assim cozinhar.
Há muito tempo atrás o homem iniciou a busca do material perfeito para confecionar recipientes culinários que fossem resistentes ao fogo. O material do utensílio culinário, além de estar disponível no seu habitat, deveria conferir ou melhorar as características sensoriais dos alimentos, tais como maciez e desenvolvimento de aromas não experimentados até então.
Estima-se que há cerca de 2 milhões de anos o homem pré-histórico usava fragmentos de pedra e madeira recolhidos do meio ambiente como instrumentos para sobreviver e conseguir seu alimento. Posteriormente, com a descoberta do fogo, o aquecimento e a defumação puderam ser adotados como recursos para alterações das propriedades dos alimentos. O aquecimento casual dos alimentos sobre materiais como areia e argila promoveu a conversão destes a outra forma física. Tal prática auxiliou no desenvolvimento da metalurgia, possibilitando a confeção dos primeiros e arcaicos utensílios culinários de barro, cerâmica e vitrificados, usados para armazenar tanto água como alimentos, encontrados em escavações arqueológicas de várias regiões do mundo.
Após o uso da pedra e da cerâmica como utensílios culinários, destaca-se o emprego do cobre e o ferro, possivelmente os primeiros metais usados pelo homem com este propósito. O provável descobrimento do cobre deu-se ao acaso pelo contato entre o minério que contém o metal e o calor que emanava das fogueiras. Estima-se que a efetiva utilização do cobre ocorreu em torno do ano 4 mil a.C., por meio do domínio do processo metalúrgico envolvido na sua separação da azurita e de outros minérios que contém o elemento em quantidade expressiva.
O cobre foi bastante usado na confeção de armas e armaduras de guerra e, também, na produção de utensílios culinários. O bronze, liga de cobre e estanho, foi provavelmente obtido casualmente pelo aquecimento de matéria-prima que continha ambos os metais. Inicialmente foi considerado como sendo um “cobre” de qualidade superior e, por apresentar melhor resistência física que o cobre isolado, auxiliou na confeção de materiais e artefactos de guerra, além de recipientes com propósitos culinários. O domínio da metalurgia do cobre e do bronze abriu caminho à do ferro, que é o segundo elemento metálico em abundância na crosta terrestre, sendo encontrado no reino mineral em maior quantidade em relação ao cobre. Possivelmente o seu descobrimento deu-se aleatoriamente mediante o contato entre o minério e a madeira carbonizada no calor das fogueiras, o que permitia sua redução a metal sólido.
Com a exploração das jazidas de ferro que teve início no Oriente Médio por volta de 1500 a.C. os hititas conseguiram dominar a purificação do ferro a partir do minério do metal, resultando num material resistente e relativamente maleável. O fabrico de armas e acessórios de guerra fez com que os hititas se tornassem, por cerca de dois séculos, guerreiros eficientes e vitoriosos, com vasto domínio geográfico.
É importante destacar que pelo alto ponto de fusão do ferro (1250 oC) os elementos com ponto de fusão inferior, como o chumbo, alumínio, mercúrio, e similares, são praticamente eliminados em totalidade durante o processo metalúrgico envolvido na purificação do metal. Ao contrário do observado com utensílios culinários de cerâmica, não há na literatura relato de intoxicação química por utensílios culinários de ferro fundido.
Na Europa, antes da introdução do fogão de cozinha no meio do século XIX, as refeições foram preparados na lareira, e muitas panelas de ferro foram projetadas para ser usadas nela. As panelas de ferro fundido ficaram especialmente populares entre as donas de casa durante a primeira metade do século XX. A maioria dos lares americanos tiveram pelo menos uma panela de ferro fundido. A durabilidade e confiabilidade do ferro fundido como uma ferramenta de cozedura tem assegurado a sua sobrevivência.
Esta peça é uma panela de ferro fundido, também conhecida por panela de três pés. Existiram em vários tamanhos e eram estrategicamente colocadas à volta da fogueira na cozinha. Para se começar a usar uma destas panelas, era necessária uma preparação destinada a retirar o sabor do ferro e de outros produtos usados na fundição. Em algumas zonas do País cozinhavam durante longas horas uma mistura de farinha de milho com nacos de unto (gordura de porco). Este processo poderia ser repetido duas ou três vezes até que o interior da panela ficasse revestido com uma película de gordura. 
À medida que se vão tornando inutilizáveis na cozinha, é-lhes imediatamente dada nova função... assumem o papel de "vasos" ostentando belas espécies de plantas e flores decorando varandas, balcões e alpendres, ou como objeto decorativo no interior das casas. Esta panela foi doada por Maria de Fátima Azevedo Teixeira Lopes da Silva.



Informações retiradas de: 
http://terrenho.blogspot.pt/2011/04/panelas-de-ferro.htmlhttp://blog.paneladeferrofundido.com.br/como-surgiu-panela-de-ferro e http://www.santanostalgia.com/2012/05/panela-ao-lume.html