A caneta de aparo/caneta bico de pena
A caneta é um instrumento utilizado para aplicar tinta sobre uma superfície, normalmente de papel, com o objetivo de formar desenhos ou palavras escritas.
Ao longo da história, diferentes materiais foram utilizados na fabricação de canetas, tais como junco, penas, osso e metais. Uma característica que as canetas fabricadas nestes materiais têm em comum é o uso do tinteiro, onde a ponta seca da caneta é mergulhada para o reabastecimento de tinta. Uma caneta que dispensa o reabastecimento manual de tinta seria inventada apenas em meados do século XX.
A história da escrita descreve a formação e evolução dos diferentes sistemas de escrita elaborados ao longo do tempo pelas mais diversas civilizações e grupos étnicos.
A caneta que aqui vê é uma caneta de aparo ou, também chamada de, caneta bico de pena (por ter de se mergulhar frequentemente, o bico do aparo no tinteiro). Surgiu após a caneta de pena (sucedânea da caneta de junco).
No ano 3000 a.C, ao desenvolver a tecnologia de fabricação do papiro, os antigos egípcios encontraram nos troncos de junco que cresciam às margens do rio Nilo o material ideal para construir os primeiros modelos de caneta utilizados no mundo – a caneta de junco. A sua tecnologia consiste em afilar uma das pontas de um tubo oco de junco ou bambu que servia como corpo da caneta, preenchendo o seu interior com tinta. Ao exercer-se uma leve pressão sobre o corpo da caneta a tinta fluía para o papiro, permitindo o desenho ou escrita.
Mais leve e flexível que a caneta de junco, a pena foi o instrumento de escrita utilizado por mais tempo no mundo ocidental, do século VI até o XIX. Não se sabe ao certo quando ou por quem as penas de aves começaram a ser utilizadas para a escrita, mas a mais antiga referência ao uso deste instrumento data do século VI, a partir dos escritos do teólogo Isidoro de Sevilha, que foi responsável por "Etymologiae", a primeira enciclopédia escrita na cultura ocidental.
O processo de fabricação da pena de escrever iniciava com a secagem das penas extraídas de aves no calor para a remoção de óleos que pudessem interferir no fluxo da tinta. Em seguida, a ponta da pena era moldada e afiada com uma faca, para ser então mergulhada no tinteiro, com o objetivo de preencher toda a parte oca da haste da pena, que serviria então como um reservatório. Embora duráveis, as penas precisavam ser afiadas com frequência. Para isso, a pessoa que escrevia precisava de um instrumento específico, uma espécie de faca. Por se tratar de um instrumento leve que proporcionava maior fluidez de movimento do braço e da mão que a segurava, a pena influenciou o surgimento de escritas de traço contínuo, como a escrita cursiva, e o aprimoramento da caligrafia decorativa.
No final do século XVIII surgiram as canetas bico de pena, que utilizavam ponteiras de metal. Inicialmente muito pesadas, elas só se popularizaram a partir de 1850 com o uso de metais mais leves como o ródio e o irídio, combinado ao uso de um corpo em material leve, como a madeira.
No século XIX surgiu a caneta-tinteiro e no século XX surgiu a caneta esferográfica.
Esta caneta bico de pena ou caneta de aparo é constituída por uma haste de madeira. É provida na extremidade por uma peça metálica – o porta-aparo, à qual se fixa o aparo que se substituía, uma vez que era este que determinava a qualidade da escrita e o tipo da letra.
Foi doada por Jorge Manuel de Sousa Ferreira da Silva e Maria de Fátima Teixeira Lopes da Silva. Faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.
Informações retiradas de: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caneta


