O Manuscrito “Emigrantes” de Ferreira de Castro

A Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis escolheu para peça do mês de maio, o manuscrito “Emigrantes”, da autoria de Ferreira de Castro, uma vez que, no dia 24 de maio de 2023, comemora-se o 125º aniversário do seu nascimento.
O livro “Emigrantes”, publicado em 1928, aborda a temática da emigração portuguesa especificamente para o Brasil. Retrata a odisseia de um camponês que emigra para o Brasil à procura de uma vida melhor. A ação decorre nos inícios do século XX, com Manuel da Bouça, como personagem principal. É um camponês da região de Oliveira de Azeméis, proprietário de pequenas courelas que vão dando para o sustento diário, à custa de muito trabalho, que ambiciona comprar umas terras vizinhas das suas, de forma a melhorar os rendimentos. Como não tem dinheiro para concretizar esse objetivo, resolve emigrar para o Brasil, de onde chegam notícias que se fazia fortuna facilmente. Para custear a passagem, hipoteca as courelas. Ao chegar, constata que a realidade não corresponde com o que sonhava. Arrasta-se penosamente, durante anos, em trabalhos forçados, quase escravo, com ganhos que mal dão para comer. Passa fome e vê-se envolvido numa revolução fracassada. Além da vida correr-lhe mal no Brasil, as notícias recebidas de Portugal também são más, pois perde as terras hipotecadas porque não pagou o combinado e a mulher adoece, acabando por morrer. Fica sem nada e volta para Portugal. Regressado a Portugal, à sua aldeia, mente aos conterrâneos e à filha para esconder a humilhação e a derrota. Vivendo uma situação insustentável, abandona a aldeia e parte para Lisboa, para o anonimato e o esquecimento.
Esta é uma cópia do manuscrito original da obra “Emigrantes”, da autoria de Ferreira de Castro, que faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis. O manuscrito é constituído por 807 folhas soltas, embora estejam numeradas pelo autor, Ferreira de Castro, como 808. A obra está dividida em duas partes, sendo a primeira composta por 576 folhas e a segunda por 231 folhas. A primeira parte da obra está escrita em papel comum e a segunda parte está escrita no verso de circulares do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa de 1925, cuja direção era constituída por Julião Quintinha, Artur Portela, Jaime Brasil, Martins dos Santos e Pinto Monteiro, com exceção das páginas nº801, nº207 e nº208 (que deveriam estar numeradas como nº807 e nº808 respetivamente), que estão escritas em capas da magazine “Civilização”, da qual o autor era diretor na delegação de Lisboa e o Dr. Campos Monteiro na delegação do Porto.
A obra completa tem uma espessura aproximada de 10 cm. A última folha do manuscrito tem escrito “Junho, 1927” e “Setembro, 1928”, que diz respeito à data de início e de fim, respetivamente, da redação da obra “Emigrantes” por parte de Ferreira de Castro.
O manuscrito “Emigrantes” pode ser visto no Gabinete de Leitura Ferreira de Castro, na Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.
Informações retiradas de: https://resumos.netsaber.com.br/resumo-79322/emigrantes e manuscrito “Emigrantes”