O metro articulado
A origem da palavra metro é o termo grego μέτρον (metron) que quer dizer medida. O metro (símbolo: m) é a unidade de medida de comprimento do Sistema Internacional de Unidades.
As unidades de medição primitivas estavam baseadas em partes do corpo humano, que eram referências universais, pois era fácil chegar a uma medida que podia ser verificada por qualquer pessoa. Foi assim, que surgiram medidas padrão como a polegada, o palmo, o pé, a jarda, a braça e o passo. Em geral, essas unidades eram baseadas nas medidas do corpo do rei, sendo que tais padrões deveriam ser respeitados por todas as pessoas que, naquele reino fizessem as medições.
Há cerca de 4000 anos, os egípcios usavam, como padrão de medida de comprimento, o cúbito: distância do cotovelo à ponta do dedo médio. Como as pessoas têm tamanhos diferentes, o cúbito de uma pessoa para outra, acabava por gerar confusões nos resultados das medidas. Para serem úteis, era necessário que os padrões fossem iguais para todos. Perante este problema, os egípcios resolveram criar um padrão único: em vez do próprio corpo, eles passaram a usar, nas suas medições, barras de pedra com o mesmo comprimento. Assim, surgiu o cúbito-padrão. Com o tempo, as barras passaram a ser construídas em madeira, para facilitar o transporte. Como a madeira se desgastava, foram gravados comprimentos equivalentes a um cúbito-padrão nas paredes dos principais templos. Desse modo, cada um podia conferir periodicamente a sua barra.
Nos séculos XV ou XVI, os padrões mais usados, em Inglaterra, para medir o comprimento eram a polegada, o pé, a jarda e a milha.
Em França, na altura da Revolução Industrial, ocorreu um avanço importante na questão de medidas. A toesa, que era, até essa altura, utilizada como unidade de medida linear, foi padronizada numa barra de ferro com dois pinos nas extremidades e, em seguida, chumbada na parede externa do Grand Chatelet, nas proximidades de Paris. Dessa forma, assim como o cúbito-padrão, cada interessado podia conferir os seus próprios instrumentos. Uma toesa era equivalente a seis pés, aproximadamente, 1,949m. Entretanto, esse padrão também foi se desgastando com o tempo e teve que ser refeito. Surgiu, então, um movimento no sentido de estabelecer uma unidade natural, isto é, que pudesse ser encontrada na natureza e, assim, ser facilmente copiada, constituindo um padrão de medida. Havia também outra exigência para essa unidade: ela deveria ter os seus submúltiplos estabelecidos segundo o sistema decimal. Um sistema com essas características foi apresentado por Charles-Maurice de Talleyrand, em França, num projeto que se transformou em lei naquele país, sendo aprovado, em 8 de maio de 1790. Estabeleceu-se que a nova unidade deveria ser igual à décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre. Essa nova unidade passou a ser chamada de metro. Os astrónomos franceses Jean Baptiste Joseph Delambre e Pierre Méchain foram incumbidos de medir o meridiano. Utilizando a toesa como unidade, mediram a distância entre Dunquerque (França) e Montjuich (Espanha). Feitos os cálculos, chegou-se a uma distância que foi materializada numa barra de platina de secção retangular, com 4,05x25mm.
O comprimento dessa barra era equivalente ao comprimento da unidade padrão metro, que assim foi definido: Metro é a décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre. Esse metro foi transformado numa barra de platina que passou a ser denominado metro dos arquivos. Com o desenvolvimento da ciência, verificou-se que uma medição mais precisa do meridiano daria um metro um pouco diferente. Assim, a primeira definição foi substituída por uma segunda: Metro é a distância entre os dois extremos da barra de platina depositada, nos Arquivos de França, e apoiada nos pontos de mínima flexão, na temperatura de zero graus Celsius.
No século XIX, vários países já haviam adotado o sistema métrico. Para aperfeiçoar o sistema, fez-se um outro padrão que recebeu: uma secção transversal em X para ter maior estabilidade; uma adição de 10% de irídio para tornar o seu material mais durável e dois traços no seu plano neutro, de forma a tornar a medida mais perfeita. Assim, em 1889, surgiu a terceira definição: Metro é a distância entre os eixos de dois traços principais marcados na superfície neutra do padrão internacional, depositado no Bureau International des Poids et Measures, na temperatura de zero graus Celcius e sob uma pressão atmosférica de 760 mmHg e apoiado sobre os seus pontos de mínima flexão. Atualmente, a temperatura de referência para calibração é de 20ºC. É nessa temperatura que o metro, utilizado em laboratório de metrologia, tem o mesmo comprimento do padrão que se encontra, em França, na temperatura de zero graus Celsius. Ocorreram, ao longo do tempo, várias modificações. De acordo com a decisão da 17ª Conferência Geral dos Pesos e Medidas, em 1983, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial definiu, assim, o metro: Metro é o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo, durante o intervalo de tempo de 1/299.792.458 do segundo. Essa definição é universal e aplica-se a todo tipo de medições, desde o lar até a astronomia. O metro, em si, não foi alterado, o que ocorreu foi uma melhoria na precisão de sua definição.
Desde então, foram inventados vários instrumentos de medição que nos ajudam no nosso quotidiano. Um deles é o metro articulado: um instrumento de medição linear, que pode ser fabricado em madeira, alumínio ou fibra. Pode ser encontrado nas versões de 1m e 2m. A leitura das escalas de um metro articulado é bastante simples: faz-se coincidir o zero da escala, isto é, o topo do instrumento, com uma das extremidades do comprimento a medir. O traço da escala que coincidir com a outra extremidade indicará a medida. De forma a conservar este tipo de instrumento é necessário abrir o metro articulado de maneira correta, evitar que ele sofra quedas e choques e lubrificar as suas articulações.
Este metro articulado é feito em metal. Faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.


