O garfo
O garfo é um utensílio de mesa com três ou quatro dentes que serve para apanhar os bocados de comida sólida e levá-los à boca ou para segurar algum alimento que se quer cortar.
Antigamente, o garfo era feito em metal e atualmente pode ser feito em aço inoxidável, plástico, madeira, etc... É composto por uma parte mais larga dividida em dentes, geralmente quatro, e uma pega ou cabo (parte superior usada para segurar o conjunto).
As referências a este utensílio são mais antigas do que se possa pensar. Já a Bíblia judaica referia um objeto semelhante, no ano 600 a.C.. Apesar disso, acredita-se que a sua verdadeira origem terá ocorrido nas civilizações grega e romana. Nessa altura, o garfo possuía apenas dois dentes e era usado sobretudo para servir os alimentos e não para se comer de forma individual, pois os alimentos, depois de cortados, eram comidos com as mãos. Nesta época, em que se comia à mão, o número de dedos que pegavam na comida identificava a classe social. Os mais nobres usavam apenas três dedos, enquanto a plebe usava a mão completa.
Em meados do século XI, o garfo chegou à Europa através da filha do imperador Constantino VIII de Constantinopla, que trouxe um exemplar, em ouro, com dois dentes que usava para espetar a comida. Naquela época, esse exemplar foi muito contestado pela Igreja, pois assemelhava-se à forquilha, utensílio usado pelo Diabo nas representações clássicas. A Igreja defendia, também, a teoria que os alimentos, sendo dádiva Divina, deveriam ser comidos com as mãos, a forma mais natural e humana. A posterior morte da princesa que não abdicava do talher, veio reforçar estas crenças alimentadas pelo clero, que fizeram com que durante longo tempo, este utensílio fosse proibido.
Começou lentamente a reaparecer no séc. XV, popularizando-se em Itália. No século XVI, Catarina de Médici levou o garfo até França, mas a aceitação foi difícil, pois os franceses não viam nele grande utilidade chegando mesmo a afirmar que o metal deturpava o sabor dos alimentos.
Sendo inicialmente partilhado por várias pessoas, Henrique III de Inglaterra tornou-o mais popular criando o garfo individual, dando assim a possibilidade (muito mais higiénica) de cada pessoa usar apenas o seu.
A partir do séc. XVII, o garfo tornou-se cada vez mais difundido na Europa sendo usado em quase todos os lares. Tornou-se mesmo um símbolo de luxo e posição, começando até a ser apreciado pelos próprios padres. Neste século, a situação inverteu-se e era agora considerado indecoroso comer com as mãos.
No final do séc. XVII surgiu o modelo com mais um dente, ficando assim, com três dentes e no início do séc. XIX foi criado o garfo com quatro dentes. Esta última versão foi amplamente impulsionada por Fernando de Bourbon que detestava ver os longos fios de esparguete escorregar nos garfos com três dentes.
Atualmente, o garfo é o utensílio mais usado no processo da alimentação e existem vários modelos, nomeadamente: garfo de mesa, garfo de sobremesa, garfo de trinchar, garfo de peixe, etc.
Este garfo é constituído por um cabo em madeira e por uma parte inferior, com quatro dentes, em metal. Tem 18cm comp. x 2cm larg. e faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.


