O alfinete de ama

O alfinete de ama é conhecido por várias denominações, tais como: alfinete de dama, alfinete de fralda, alfinete de bebé, alfinete de gancho e alfinete de segurança. Com a mesma finalidade do alfinete tradicional, unir peças de vestuário, o alfinete de ama possui as seguintes características: o seu corpo é formado por uma única haste metálica (de aço inoxidável ou latão), e no centro possui uma mola. Desta maneira, formam-se duas "pernas" de haste paralelas. Na ponta de uma destas "pernas", existe um cabeçote, também metálico, para fixar a segunda perna e proteger de acidentes. A ponta da segunda "perna" é uma terminação aguda.
No passado, era muito utilizado para fixar as pontas de uma fralda de tecido (por isso a denominação "alfinete de fralda"), mas com o avanço tecnológico deste produto, entrou em desuso para esta finalidade, especialmente em países com desenvolvimento industrial.
Alfinete de ama, a forma mais usual e antiga em Portugal, talvez tenha a ver com sua utilização prática (pelas amas que usavam esses alfinetes nas fraldas dos bebés), enquanto, alfinete de dama, talvez provenha da sua vertente de adorno (pelas damas).
O livro História das Coisas, de Pancracio Celdrán (Notícias Editorial, Lisboa) refere que se trata de um objeto pré-histórico, inventado, em forma de alfinete de segurança, feito de ouro dobrado, utilizado há mais de 2700 anos pelo povo etrusco, para prender a roupa. Era semelhante a um broche que impossibilitava que o manto ou a túnica se abrissem e deixassem o indivíduo exposto na sua nudez. Mas, antes do povo etrusco, o cretense conhecera um alfinete de ama muito parecido ao do nosso tempo, que utilizava para fixar a roupa drapeada. Também a Grécia o empregou, numa forma ainda muito rudimentar: um alfinete dobrado, cuja ponta encaixava numa ranhura ou gancho, que impedia que resvalasse e se soltasse.
Mas o reinventor deste curioso artefacto foi o norte-americano Walter Hunt, que teve a sua engenhosa ideia numa tarde em que, não tendo nada melhor que fazer, se entretinha a dar voltas a um pedaço de arame, que fazia adotar as formas mais diversas. Sem querer, inventou o alfinete de ama. O verdadeiro invento de Hunt foi a volta circular dada ao alfinete no seu ponto de curvatura, o que servia de mola em espiral. O próprio inventor explicaria, mais tarde, que aquela descoberta não lhe levou mais de três horas, num dia de 1840. Com ela saldou uma dívida que tinha para com um desenhador seu amigo, sendo perdoado dos 15 dólares que lhe devia, em troca daquele invento. Além disso, recebeu 400 dólares pela patente do desenhador J. R. Chaplin, que fez o negócio da sua vida.
É certo que Walter Hunt inventara um objeto que já existia. O seu mérito residia em tê-lo aperfeiçoado. De facto, o que ele tinha conseguido era esconder o bico, resguardando-o e evitando assim que pudesse danificar o tecido. Hunt alegou que ele foi projetado para manter os dedos a salvo de lesões, daí o nome, “alfinete de segurança”. O alfinete do ano 1000 antes de Cristo já era um alfinete de ama, mas, desde aquele tempo distante, o bico ficara exposto.
Tanto o alfinete antigo como o invento de Walter Hunt eram alfinetes em U. No entanto, a pequena modificação introduzida pelo norte-americano era de tal transcendência, que revolucionou por completo o futuro daquele artefacto. Foi então que se começou a falar de "alfinete de ama" ou "alfinete de segurança".
O seu êxito foi rápido, de tal forma, que o alfinete de ama teve um papel capital quando se tratou de encontrar soluções novas para velhos problemas de costura. Foi conquistando posições que muitas vezes o afastavam da sua finalidade inicial, até o converterem num elemento decorativo: os alfinetes de ama grandes, de ouro e prata, cobertos de pedrarias, que serviam de broches, no princípio do século XX.
Este alfinete de ama é feito em metal. Tem 5,8cm comp. x 1,3cm larg. Faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis e pertenceu à antiga loja “José Carvalho”, que existia perto do Jardim Municipal de Oliveira de Azeméis.