O envelope
Um envelope é um pedaço de papel ou outro material, dobrado em forma de bolsa, para guardar cartas, documentos ou impressos de qualquer outra natureza para enviar pelos correios. Tratando-se de um objeto prático e descartável, foi desenhado com o propósito de enviar informações para um determinado destinatário.
Consta-se que o “envelope” mais antigo, de que há testemunha, foi feito em barro.
Tratava-se de um revestimento de barro cozido do qual se serviam os babilónios, por volta do ano de 2000 a.C., para fazer selar mensagens oficiais que eram feitas do mesmo material. A ideia era que o barro tornasse a mensagem “inviolável” até que chegasse às mãos do destinatário. Por esta altura, o conceito e a necessidade de um envelope começou a ganhar forma.
Na Idade Média, há registos de que a carta era dobrada, mas é preciso esperar, por testemunhos escritos, até ao século XVII, para que a sociedade europeia veja a conveniência de “vestir” a carta num invólucro mais apropriado: Antoine de Courtin escreve que “o revestimento (“enveloppe”) de papel sobre o qual pôr a morada da carta é um sinal de respeito ao superior a quem se escreve”.
Por norma, este é considerado como o primeiro testemunho escrito da palavra “enveloppe” em referência ao objeto que deu lugar ao envelope moderno. Sendo a corte de França, então a referência de moda para as classes dirigentes europeias, não é estranho que o “enveloppe” francês tenha cruzado o canal da Mancha até Inglaterra e que o nome tenha sido transportado para se enraizar na corte inglesa.
Muitas alterações, que vieram impactar a forma como usamos os envelopes, aconteceram então, no século XVIII. Até esta altura, os correios eram governados por pura anarquia, com cartas enviadas em todo o tipo de papéis, com moradas imprecisas e populações sem nomes nas ruas. Em 1792, a Assembleia Francesa introduziu algumas mudanças, obrigando a pôr a morada do destinatário para que um agente governativo não tivesse que abrir o papel para conhecer a quem se dirigia a carta. Cerca de três décadas mais tarde, a 26 de Fevereiro de 1820, a Assembleia Constituinte francesa decidiu racionalizar o território em departamentos e dar nome às ruas de Paris e rotula-las. Mas até 1830, não começou a distribuição do correio domiciliário.
Em 1837, Rowland Hill publicou em Londres uma brochura intitulada de Post Office Reform, its importance and practicability, onde defendia que fosse introduzida uma cobertura uniforme para a distribuição. Assim, apareceu o selo mais famoso da história: a rainha Vitória, retratada com 18 anos, que esteve vigente no Reino Unido durante os sessenta anos que durou o seu reinado.
Por essa época, a recuperação do correio em função do número de papéis foi uma barreira mental para a invenção do envelope como cobertura da carta. E foi o comprovativo de que o tráfego da correspondência se encarecia mais pela anarquia dos papéis do que pelo seu número, o que levou à ideia de que uma cobertura uniforme com espaço para a morada e franqueio facilitava o serviço de correios.
Assim se chegou, em Inglaterra, ao “envelope Mulready”. W. Mulready foi um membro da Royal Academy, que ganhou, em 1840, um concurso oficial de ideias por uma cobertura padrão de franqueio pago. Fracassou pela sua estética cortesã, mas abriu um caminho de liberdade que tem perdurado até hoje. Entretanto, em 1848, em França, decidiu-se por decreto, a obrigação de colar selos nos envelopes no ângulo superior direito dos objetos franqueados.
Entretanto, não por acaso, em 1843, um homem chamado Pierson, em Fulton Street, em Nova Iorque, inventou um novo método para cortar papel: uma estrutura de aço que, uma vez cortado e engomado, conseguiria dar forma a envelopes com um formato industrial, antes impensável, com procedimentos artesanais.
Durante todo o século XIX, o envelope começa a proliferar na Europa e nos Estados Unidos, lado a lado, com engenhos criadores de procedimentos mecânicos de fabrico, que passam do manual a processos mecanizados, aplicando soluções da indústria gráfica a um produto mais complexo que um simples papel.
Este envelope é feito em papel. Faz referência ao Centenário do Nascimento do escritor Ferreira de Castro (1898-1998). Tem 11,5cm alt. x 16,5cm larg. Faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis e foi doado por Manuel Ramos.


