A lista telefónica
No dia 21 de fevereiro de 1878, em Connecticut/EUA, foi publicada pela New Haven Telephone Company a primeira lista telefónica da história. Contemplava por volta de 50 nomes, incluindo particulares e empresas. Impressa numa única folha de papel-cartão, tinha as identificações dos proprietários de linhas telefónicas da cidade, mas sem qualquer ordenação ou indicação de números de telefone associados a cada um deles, tarefa que acabava por recair sobre a telefonista que completava as chamadas.
As listas telefónicas eram livros que catalogavam todos os números de telefones e os seus proprietários, numa determinada região geográfica.
Organizadas normalmente por municípios e ordem alfabética, a sua primeira secção, as “páginas brancas”, permitia às pessoas encontrar os números dos assinantes da operadora naquela região, numa época em que as consultas computadorizadas não estavam disponíveis de forma ampla.
Existia um número de telefone para o qual podíamos ligar e realizar esta consulta com a ajuda de um operador, contudo sobre esta operação incidiam, pontualmente, cobranças de taxas pelo serviço.
As listas telefónicas contemplavam também uma secção comercial, conhecida como “páginas amarelas”, muito útil quando se queria encontrar prestadores de serviços e empresas nas mais variadas especialidades.
A história das listas telefónicas em Portugal remonta ao final do séc. XIX. A 13 de janeiro de 1882 foi assinado, no gabinete do Diretor-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, pelo Conselheiro Guilhermino de Barros, o contrato de concessão com a Edison Gower Bell, que obrigava a instalar as redes telefónicas públicas de Lisboa e Porto. Três meses mais tarde procedeu-se à inauguração oficial da rede telefónica de Lisboa, nas instalações da referida empresa, onde se encontravam instalados 32 telefones. Nessa altura fizeram-se demonstrações de várias experiências para revelar a versatilidade do aparelho, nomeadamente transmissão de voz, canto e música. Na ocasião, Guilhermino de Barros fez um discurso onde enfatizou o futuro auspicioso do telefone, o que de facto veio a acontecer desde os primeiros momentos em Portugal, já que foi muito rápido o crescimento da sua utilização nos mais diversos sectores da sociedade.
A 19 de maio de 1882 foi publicada a primeira lista telefónica de Lisboa, com 22 assinantes, passando a 35 nas duas semanas seguintes. A partir desta data, os pedidos de instalação de telefones nas residências particulares e empresas continuaram a aumentar a bom ritmo na cidade de Lisboa, enquanto que no Porto, a instalação das redes chegaria no dia 1 de junho de 1882.
Ao longo das décadas, as listas telefónicas foram crescendo em número de contatos e de impressões, sendo distribuídas de norte a sul do país. Faziam parte do quotidiano das famílias portuguesas, encontrando-se em cada casa, junto ao telefone.
Ao longo dos anos, com a introdução da Internet e a popularização dos telemóveis, o uso das listas telefónicas caiu gradualmente em desuso, acelerado especialmente pelo abandono dos chamados “telefones fixos” pela maioria dos particulares. Outro fator que também desestimulou o uso das listas foi a crescente preocupação ambiental, visto que utilizavam grande volume de papel e acabavam, nalgum momento, sendo descartadas, muitas vezes sem nunca terem sido usadas, dado que eram atualizadas anualmente.
Hoje em dia, as listas telefónicas só são impressas por encomenda.
Para além da Lista Telefónica Nacional, surgiram listas telefónicas de âmbito geográfico restrito, editadas por instituições ligadas a interesses locais. É o caso desta lista telefónica do concelho de Oliveira de Azeméis, que segundo uma notícia do jornal “A Opinião” de 18 de agosto de 1964, foi editada pelo “Grémio do Comércio de Oliveira de Azeméis” em 1964, e era vendida ao preço de cinco escudos, revertendo a receita a favor de uma instituição de beneficência.
Pertenceu à “Pensão Rádio”, outrora localizada em Oliveira de Azeméis. Foi doada por Maria de Fátima Teixeira Lopes da Silva e faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis. É feita em papel e tem 21cm alt. x 15cm larg..
Informações retiradas de: https://www.fpc.pt/pt/listas-telefonicas-em-portugal-1882/ https://museucapixaba.com.br/.../primeira-lista.../ SOUSA, José – Memória da Automatização do Serviço Telefónico do Grupo de Redes de S. João da Madeira. In Terras entre Douro e Vouga. 13. Oliveira de Azeméis: Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis, 2024. ISSN 2184-1268. 139-175.


