O cortiço
O cortiço era usado, até há poucas décadas, pelos apicultores como colmeia, para captura de enxames e produção de mel.
Trata-se de uma espécie de tronco oco ou armado com casca de sobreiro (cortiça, tal como o nome indica), protegido de temperaturas extremas e das intempéries e o habitat mais semelhante ao que teriam na natureza.
Antigamente, quando o cortiço era constituído por mais que uma peça, estas peças eram unidas por tornos ou pinos de madeira, ditos saraços, ou cosidas.
Quando o tampo superior do cortiço era do mesmo material, também fixado com tornos ou pregos de madeira dura, era normal, colocar sobre este, uma lasca de pedra, mais larga, que o abrigasse da chuva e conferisse peso e estabilidade a todo o conjunto.
No alto da parede do cortiço abriam-se dois orifícios ou fendas de voo para a circulação das abelhas. No interior, três cruzes ou trancas de ramos finos de oliveira, descascados, apoiavam a construção dos favos.
O cortiço não era colocado diretamente no chão. Era pousado sobre uma pedra aplanada, chamada alvado, e podia colocar-se isolado ou em pequenos grupos numa encosta ou sítio protegido dos ventos, de preferência voltado a Nascente.
A estrutura virava-se ao contrário para apanhar o enxame e colocava-se novamente na posição inicial.
Para a retirada do mel, fazia-se um corte na vertical do cortiço que era depois novamente isolado com barro, que afastava o frio e outros bichos.
O apicultor quando manipulava as colmeias limitava-se a utilizar, quando muito, como proteção, panos enrolados nas mãos e um grande lenço por debaixo do chapéu, que cobrisse a cara e o pescoço.
Com o fumo do morrão, resultante da combustão de bugalhos de carvalho ou de um rolo de serapilheira velha, bufado em direção ao cortiço, entorpeciam-se as abelhas antes de qualquer trabalho.
Um bom cortiço conteria um enxame de 10 a 15.000 abelhas, às quais caberia todo o trabalho de construir o ninho e os favos para as reservas de mel, apenas apoiados nos pares de cruzes colocados a diferentes alturas.
Este cortiço mede 40cm alt x 39cm diâm. Foi doado por Alberto A. Fonseca Xavier. Faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.


