O lápis

O lápis é um instrumento utilizado para escrever, desenhar ou pintar.
O tradicional lápis de escrever a preto é construído através de um estilete de grafite revestido de madeira. Mudando-se o material do estilete, produzem-se de forma similar lápis de várias cores distintas.
O precursor mais remoto do lápis talvez seja identificado como sendo as varas queimadas cujas pontas foram utilizadas pelos primitivos hominídeos para gravar inscrições nas cavernas, as famosas pinturas rupestres.
Há cerca de 3500 anos, na sociedade egípcia, as "varas" de rabiscar evoluíram para pequenos pincéis capazes de produzir linhas finas e escuras nas superfícies.
Há cerca de 1500 anos, os gregos e os romanos perceberam que os estiletes metálicos serviam igualmente para registar dados em superfícies. Por causa das suas qualidades, o chumbo passou a ser amplamente empregado com tal fim.
O verdadeiro antepassado do lápis talvez seja o seu equivalente romano, o stylus; que consistia num pedaço de metal fino, normalmente chumbo revestido com alguma proteção (usualmente madeira) para evitar que os dedos se sujassem. O stylus era utilizado para se escrever nos papiros.
Os primeiros lápis livres de chumbo datam do século XVI. Neste século foi descoberta, perto de Borrowdale, Cúmbria, Inglaterra, uma grande jazida de um material bastante puro e sólido, hoje reconhecido como o estado alotrópico mais comum do carbono, a grafite. Na época, nomeava-se tal elemento de "chumbo negro" em alusão direta ao elemento concorrente e suas aplicações. Os habitantes locais descobriram rapidamente que o "chumbo negro" era muito útil para marcarem-se as ovelhas. Atando-se a grafite a varas de madeira, rapidamente surgiram os lápis rústicos, já livres de chumbo e parecidos aos que conhecemos hoje.
A primeira produção de lápis em massa é atribuída a Friedrich Staedtler em 1622, em Nuremberga, na Alemanha.
A mina de grafite de Borrowdale permaneceu por muito tempo como a fornecedora da melhor matéria-prima para se confecionarem os lápis, e apenas em 1795, à época de Napoleão Bonaparte, o francês Nicolas-Jacques Conté encontrou uma forma viável de produzir grafite aplicável à escrita a partir de material de qualidade incompatível.
Mesmo com a ascensão dos lápis de grafite, os lápis de chumbo ainda guardaram significância até o século XIX, e vieram a extinguir-se definitivamente apenas no século XX, com a descoberta da toxicidade do chumbo.

Os lápis que aqui observa foram produzidos pela empresa “Viarco”, a única fábrica de lápis, em Portugal.
A origem do fabrico de lápis em Portugal remonta ao ano de 1907 quando o Conselheiro Figueiredo Faria juntamente com o seu sócio o Engenheiro Francês Jules Cacheux decidiram construir, em Vila do Conde, uma unidade industrial de fabrico de lápis designada por “Faria, Cacheux & Cª” também conhecida como “Portugália”.
Apesar da “Portugália” ter sido pioneira e bem sucedida no desenvolvimento e produção de artigos de escrita no país pensa-se que a sua atividade terá sido gravemente afetada com a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial e principalmente pela Grande Depressão de 1929/31. A viragem dá-se em 1931 quando Manoel Vieira Araújo, industrial experiente da chapelaria e figura proeminente de S. João da Madeira, decide diversificar o ramo de atividade da Vieira Araújo & Cª, Lda., e adquire a Fábrica Portuguesa de Lápis. No ano de 1936 é registada a marca que acompanharia gerações de portugueses até aos dias de hoje – “Viarco”. Apesar da sua dimensão, o grupo Vieira Araújo era uma empresa de cariz familiar, pelo que foi um dos seus filhos, António Vieira Araújo, o designado para assumir as responsabilidades de reativação e dinamização do novo sector do grupo. Em 1941, quando o mercado já se encontrava consolidado e estavam garantidas todas as informações necessárias ao bom funcionamento, a empresa deslocalizou-se de Vila do Conde para as atuais instalações em S. João da Madeira, levando consigo todos os equipamentos e muitos funcionários que decidiram iniciar uma nova vida ao seu lado. Os anos que se seguiram foram marcados por sucessivos desenvolvimentos tecnológicos que levaram ao início da produção dos lápis de cera e de uma vasta gama de lápis técnicos utilizados nas mais diversas profissões.
Na década de 70 a fábrica de lápis torna-se autónoma e passa a denominar-se “Viarco – Indústria de Lápis, Lda”.

Estes lápis foram doados por Lealdina Marinho e fazem parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.
São os modelos nº401 (zoo); nº402 (selos) e nº456 (alfabeto).

Informações retiradas: pt.wikipedia.org/wiki/Lápis e https://www.viarco.pt/historia/