O passe-vite ou passador de legumes

O passe-vite ou passador de legumes é um utensílio culinário usado para esmagar batatas e legumes cozinhados. A sua denominação tem origem francesa e significa “passar depressa”.
A história da invenção do passe-vite ou passador de legumes é disputada entre um francês, Jean Matelet, que registou um «Moulin-legumes» em 1932 e um belga, Victor Simon, que registou a marca «Passe vite» para um passador de ação rápida para legumes e outros comestíveis, na Bélgica, em 1928.
O vencedor foi Mantelet que rapidamente comercializou o seu modelo e iniciou a sua produção. Feito em metal, o modelo foi não só aperfeiçoado, como dele resultaram muitos outros com fins semelhantes. Assim surgiram os moinhos para ralar, o moinho de salsa, os corta legumes, o moinho de carne, etc...
Jean Mantelet apoiou-se em campanhas publicitárias bem pensadas dirigidas às mulheres, com a mensagem de que os seus produtos lhes facilitavam a vida, enquanto ia transmitindo aos maridos, a ideia de que deviam perceber esse conceito e que a felicidade do casal passava pela oferta desses bens.
Em Portugal, a marca «Mouli» foi registada pela empresa Moulinex, S.A., em maio de 1952, enquanto o «Mouli julienne» apenas o foi, em Março de 2000, embora já fosse comercializado, desde a década de 1950-60. Estes aparelhos foram um sucesso e invadiram todos os lares. Em França, apenas entre 1933 e 1935, foram vendidos mais de 2 milhões de exemplares.
A imaginação de Mantelet não parava e entre 1929 e 1953, registou 93 patentes. Em 1956, influenciado pelas «VéloSolex» (conhecida como “a bicicleta que anda sozinha”), integrou um moinho elétrico numa das suas invenções, nascendo o primeiro moinho elétrico de café, o «Moulinex», que viria a dar o nome à própria empresa, em 1957. Na década de 1970, a empresa estava no auge com a venda de pequenos eletrodomésticos vendidos a preços acessíveis. Mas, em 1985, os problemas financeiros levaram ao despedimento de pessoal, revelando os problemas da empresa. Em 1996, a crise estava instalada, sobretudo depois da compra da Krups, em 1991. Em 2001, deu-se a liquidação da empresa, embora a marca tenha sido posteriormente comprada pelo Grupo SEB. Mantelet não viveu o suficiente para assistir a esta parte final. Mas ninguém lhe tira o mérito de ter revolucionado a cozinha e facilitado a vida das donas-de-casa.
Este passe-vite ou passador de legumes é feito em metal, com pega da manivela, em baquelite. Tem 18cm alt. x 24cm diâm. x 38,5cm larg.. Possui no cabo as inscrições “SOUJUTIL/PORTUGAL. Foi doado por Manuel Carlos Fernandes e faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.