A enxofradeira de fole

A videira está exposta às mais variadas adversidades, tais como as condições ambientais, as deficiências dos terrenos e dos trabalhos executados (poda incorreta, tratamento inadequado, adubo defeituoso, etc...) e os ataques de outros seres vivos (fungos, bactérias, vírus, insetos, ácaros, aranhas, etc…), que podem causar diversos problemas ao nível do seu desenvolvimento e do seu rendimento, podendo, em alguns casos, provocar a sua destruição. Por estes motivos, o viticultor deve conhecer bem as suas causas, os meios para evitá-los e os produtos para tratá-los.
Ao longo do seu ciclo vegetativo, a videira deve, por isso, ser submetida a tratamentos preventivos recorrentes, de modo a evitar ou acabar com as enfermidades que mais comummente atacam as vides, como o míldio (formação de manchas descoloradas translúcidas, por vezes recobertas por camadas pulverulentas, nas folhas e outros órgãos das plantas, que depois necrosam e ficam secas e quebradiças); o oídio (manchas brancas pulverulentas nas folhas, que vão alastrando até as cobrirem completamente), a podridão cinzenta (manchas acastanhadas na bordadura da folha de forma irregular que, com tempo muito húmido, adquirem um aspeto pulverulento; manchas e necroses castanhas nos pâmpanos e varas; pontuações negras (esclerotos) que são órgãos de reprodução do fungo nas varas, dessecação total ou parcial das inflorescências, antes e depois da floração e coloração castanha violácea nos bagos, que ficam engelhados, e quando secam cobrem-se de uma penugem cinzenta), a flavescência dourada (descoloração das folhas, com enrolamento para a página inferior acompanhado de amarelecimento nas castas brancas e vermelhão nas castas tintas; as folhas tornam-se sobrepostas umas sobre as outras, ficam duras e quebradiças; as varas não atempam e ficam pendentes em forma de 'chorão' e dessecamento das inflorescências logo à floração ou emurchecimento das bagas ao pintor), entre outras doenças e/ou pragas.
Estes tratamentos fitossanitários devem ser aplicados idealmente durante o inverno, sendo que, no passado, um dos instrumentos utilizados para o efeito era a enxofradeira de fole que servia para enxofrar ou pulverizar as videiras com enxofre e inseticidas.
Este utensílio era habitualmente formado por uma haste de latão, apresentando, numa das extremidades, um depósito de forma convexa com uma entrada de boca larga na diagonal, lembrando um pequeno funil, e uma saída estreita e mais comprida na vertical, formando uma espécie de gargalo. No extremo oposto, existia um fole, constituído por três “rodelas” circulares de madeira, forradas e ligadas entre si por pele, com pequeno cabo de madeira, tal como este exemplar aqui exposto.
Esta enxofradeira de fole é feita de latão, madeira e pele. Tem 83cm comp. x 17cm larg.. Foi doada por Alberto Arlindo Fonseca Xavier. Faz parte do espólio da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis.